“Um drama profundamente sóbrio, sombrio e compassivo sobre uma família negra britânica, com lampejos de diversão e felicidade que são suavizantes, mas nunca superficiais.”
Peter Bradshaw
The Guardian

Pansy não suporta o som da respiração do marido. Ela repreende um estranho no supermercado por ficar muito perto. Ela encontra defeitos na maneira como seu filho entra em um cômodo. Todos os dias, Londres se torna um campo de batalha de pequenas queixas que ela transforma em grandes guerras. Marianne Jean-Baptiste interpreta essa mulher de raiva avassaladora com uma atuação que parece uma respiração presa prestes a explodir.
Sua irmã Chantelle, interpretada por Michele Austin, vive uma vida completamente diferente. Cabeleireira que administra um salão em sua casa, ela preenche seu espaço com risadas, música reggae e a conversa fácil das clientes. Onde Pansy vê ameaça, Chantelle vê conexão. Mike Leigh, retornando ao drama contemporâneo londrino pela primeira vez desde Another Year, constrói o filme em torno desse contraste. O roteiro surgiu de meses de workshops de improvisação, o método característico de Leigh, e o resultado é uma história que parece menos escrita do que escavada da vida real.
Este também é um reencontro. Jean-Baptiste estrelou o Segredos e Mentiras de Leigh há quase três décadas, ganhando uma indicação ao Oscar. Aqui, ela entrega o que muitos críticos chamaram de melhor trabalho de sua carreira. O filme é dedicado a Dick Pope, o cineasta de longa data de Leigh, que morreu pouco depois de concluir o trabalho nele.
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Pansy acorda cada manhã para um mundo que já odeia. Ela se move por sua casa impecável no norte de Londres como um general inspecionando território inimigo, encontrando defeitos em tudo. Seu marido Curtley (David Webber) aprendeu a se mover silenciosamente, falar baixo e absorver seus discursos sem reação. O filho deles, Moses (Tuwaine Barrett), um jovem na casa dos vinte anos, mal fala. Ele passa longas horas em seu quarto, saindo apenas para refeições que se tornam campos minados de críticas de Pansy.
Fora de casa, o padrão se repete. Uma ida ao supermercado se torna um confronto quando outro comprador bloqueia o corredor. Uma visita ao médico, provocada por dores de cabeça crônicas e fadiga, termina com Pansy descartando a sugestão do médico de que ela poderia se beneficiar de conversar com alguém. Ela vê grosseria em todos os lugares, conspiração em cada olhar. O mundo, para Pansy, é um lugar que a prejudicou e continua a prejudicá-la a cada momento.
A vida de Chantelle se desenrola em um tom diferente. Sua casa é uma casa geminada em Hackney, onde ela administra seu negócio de cabeleireira no térreo. Clientes vão e vêm, compartilhando histórias, rindo, fofocando. Suas filhas Aleisha (Sophia Brown) e Kayla (Ani Nelson) se movem pelo espaço com afeto fácil, provocando a mãe, tocando música. Chantelle se preocupa com a irmã. Ela liga, convida, insiste. Pansy na maioria das vezes recusa, mas às vezes, relutantemente, ela aceita.
O filme traça os ritmos dessas duas casas, alternando entre a prisão silenciosa e ordenada de Pansy e o salão quente e caótico de Chantelle. Uma reunião familiar é proposta. Pansy resiste. Curtley observa. Moses se retrai ainda mais. Leigh constrói a tensão não através de mecanismos de enredo, mas através de detalhes acumulados: a maneira como as mãos de Pansy seguram seu carrinho de compras, a pausa antes de Chantelle discar o número da irmã, o som de uma porta se fechando em uma casa vazia.
Pequenas rachaduras começam a aparecer. A gentileza inesperada de um estranho deixa Pansy momentaneamente sem palavras. Uma música no rádio desencadeia algo em seu rosto, um vislumbre de um eu diferente. Moses, em um momento raro, revela uma vulnerabilidade que Pansy não pode atacar imediatamente. Esses momentos não a curam, mas sugerem que, sob a armadura de raiva, existe algo mais, algo assustado, exausto e profundamente sozinho.
Official Trailer
Consenso da crítica
Mike Leigh retorna ao drama contemporâneo com compaixão feroz, ancorado pela atuação monumental de Marianne Jean-Baptiste. Hard Truths é um retrato surpreendentemente honesto, muitas vezes desconfortável, de uma mulher se afogando em raiva, amenizado por momentos de humor negro e ternura genuína. É Leigh vintage, bagunçado, humano e sem medo do silêncio.
“Um drama profundamente sóbrio, sombrio e compassivo sobre uma família negra britânica, com lampejos de diversão e felicidade que são suavizantes, mas nunca superficiais.”
Peter Bradshaw
The Guardian
“A atuação de Jean-Baptiste é uma maravilha de fúria controlada e vulnerabilidade mal escondida; ela torna Pansy impossível de gostar, mas impossível de desviar o olhar.”
David Rooney
The Hollywood Reporter
“Leigh fez um filme quase desconfortavelmente íntimo, uma peça de câmara de miséria doméstica que de alguma forma encontra luz na escuridão.”
Owen Gleiberman
Variety
“É o filme mais contundente de Leigh em anos, um lembrete de que ninguém captura a poesia da dor comum como ele.”
Brian Tallerico
RogerEbert.com
“Uma pequena obra-prima de misantropia e misericórdia, Leigh dá a Pansy sua fúria e sua fragilidade em igual medida, e Jean-Baptiste corre com ambas.”
Jessica Kiang
IndieWire
Director
Mike Leigh
Writer
Mike Leigh
Composer
Gary Yershon
Cinematographer
Dick Pope
Producer
Georgina Lowe
National Society of Film Critics Award (2025)
Melhor Atriz: Won
BAFTA Award (2025)
Melhor Filme Britânico: Nominated
BAFTA Award (2025)
Melhor Atriz: Nominated
BAFTA Award (2025)
Melhor Roteiro Original: Nominated
Independent Spirit Award (2025)
Melhor Filme Internacional: Nominated
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